Boris Kossoy – Fotógrafo reúne trabalho autoral do pesquisador

Pessoal uma máteria pública no jornal O Estado de S.Paulo por Simonetta Persichetti se mostrou muitissimo interessante para todos os apreciadores de arte e por todos amantes da fotografia. Resolvi reproduzi-la aqui espero que gostem, e aproveitando a oportunidade parabéns ao jornalista Simonetta pois nos da Espaço da Fotografia adoramos.

Quando se fala em pesquisa e história da imagem no Brasil, um dos primeiros nomes a serem lembrados é o do historiador Boris Kossoy. Poucos, porém, conhecem seu trabalho fotográfico. Há dois anos, uma retrospectiva na Pinacoteca reuniu os 40 anos de sua carreira na área. Agora, a Cosac Naify, a Imprensa Oficial e a Pinacoteca do Estado de São Paulo apresentam o livro Boris Kossoy – Fotógrafo (216 págs., R$ 69), que será lançado dia 11, às 19 h, na SP-Arte/Foto (Shopping Iguatemi São Paulo – Av. Brig. Faria Lima, 2.232, 9.º andar).

Na sua trajetória imagética, Boris surpreende quando, ao começar nessa arte, parte para imagens fantásticas (ele não gosta de defini-las como surrealistas) que revelam a construção de um olhar diferenciado. São obras para provocar o espectador e feitas muito antes de toda essa discussão da atualidade sobre construção/produção de imagens.

Talvez tenha sido este fazer imagético que tenha dado origem ao professor Boris Kossoy. Foi para entender como decodificar e entender uma imagem que ele passou às letras. Como ele mesmo já afirmou várias vezes (e escreve no prefácio do livro), um não existiria sem o outro. A teoria que o ajuda na prática e o fazer fotográfico que o auxilia a resolver dúvidas teóricas.

Organizado de forma aleatória, o livro – com fotos de 1955 a 2008 – constrói um discurso que acompanha o pensar imaginário de Boris. Como escreve o crítico Jorge Coli na apresentação da obra: “A palavra caleidoscópio que preside este livro, pressupõe a ausência de ordem, o aleatório, e rompe com divisões que podem levar a simplificações.”

Passear por suas páginas nos leva justamente a isso, como se estivéssemos ao lado de Boris em seus encontros com o visível, ou talvez com o invisível. São imagens que não se confundem nem se cansam de serem vistas, pois têm densidade estética para criar um discurso fotográfico. Nada parece ter sido feito ao acaso, ou este, de alguma forma, é incorporado à linguagem. Está ali de propósito.

Registros criados com o intenção de desconcertar, que quebram o clichê preestabelecido, como a série “cartões antipostais”, em que clica bastidores ou cenários que aparentemente não deveriam ser vistos. Boris sabe que a beleza da sua arte não está em apenas registrar, mas na maneira como se recria uma situação diante daquilo que resolvemos tornar público: “Tomadas do “real” não podem ser isentas; penso que deve existir nelas, a par da inerente natureza plástica, o comentário sociológico ou político que as carrega de sentido, podendo tornar-se simbólicas de uma época”, escreve Boris.

Na paisagem. Cenas urbanas em que o homem não está presente fisicamente, mas aparece nas várias escritas, cartazes e publicidades nas vitrines. Um ser anônimo que surge como manequim numa loja de roupa, ou que sem nem mesmo perceber foi incorporado à paisagem da cidade.

Poucas são as fotografias coloridas, nove apenas, mas tão discretas que nos esquecemos da cor, monocromáticas, sutis, conversando com o preto e branco que impera. São imagens silenciosas que observamos e que nos observam.

Sem se preocupar com definições ou rótulos, Kossoy, que muito fez pela fotografia brasileira ao apresentar um 1976 em Rochester, nos EUA, sua tese sobre Hércules Florence – A Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil, que também é fundamental para estudiosos com seus numerosos livros teóricos – só para citar, a sua trilogia Fotografia e História, Realidades e Ficções na Tramafotográfica e Os Tempos da Fotografia são imprescindíveis para pesquisadores da área.

Agora, com a obra que vai lançar, ele nos oferece a sua visão autoral de fotografia. Mas, como bom professor, tudo é muito bem fundamentado por textos de profissionais como Jorge Coli e entrevistas com Augusto Massi, Julia Bussius e Paulo César Boni.
QUEM É

BORIS KOSSOY
FOTÓGRAFO

Nascido em 1941, em São Paulo, o arquiteto de formação, além de historiador, professor e crítico começou a fotografar aos 13 anos. Com vários livros publicados, sua carreira inclui diversos prêmios e reconhecido trabalho como pesquisador.

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